Blog: NOLT novo termo que está mudando a forma de enxergar a vida depois dos 60.
InfográficoVocê tem mais de 60 anos, trabalha, viaja, pratica exercícios, usa tecnologia, começa novos projetos e não se identifica com a imagem tradicionalmente associada à velhice? Talvez já tenha encontrado nas redes sociais uma nova palavra usada para descrever esse comportamento: NOLT.
A sigla vem da expressão inglesa New Older Living Trend, que pode ser entendida como uma “nova tendência de viver a maturidade”. O termo vem sendo utilizado para falar de pessoas que chegam aos 60 anos ou mais mantendo autonomia, interesses, projetos, participação social e vontade de continuar aprendendo e experimentando coisas novas.
Mas NOLT não é uma nova faixa etária, tampouco um diagnóstico ou uma classificação médica. É, sobretudo, um conceito comportamental que ganhou espaço nas discussões sobre longevidade e sobre a maneira como a sociedade enxerga quem envelhece.
Por que estamos falando tanto sobre isso?
Porque a população brasileira está envelhecendo rapidamente.
Segundo o IBGE, o Brasil chegou a 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, contra aproximadamente 22 milhões em 2012. Em pouco mais de uma década, esse grupo aumentou 53,3%.
Ao mesmo tempo, envelhecer hoje pode representar uma experiência muito diferente daquela vivida pelas gerações anteriores.
Há pessoas começando novos relacionamentos, negócios, cursos, viagens e atividades físicas depois dos 60, 70 ou mesmo 80 anos. A tecnologia também passou a fazer parte dessa transformação: em 2023, 66% dos brasileiros com 60 anos ou mais já utilizavam a internet.
É dentro dessa mudança social que o termo NOLT ganhou espaço.
Afinal, o que caracteriza uma pessoa NOLT?
Não existe uma lista oficial de requisitos.
A ideia normalmente está associada a pessoas maduras que procuram preservar sua autonomia e continuam participando ativamente da sociedade.
Isso pode aparecer de diversas formas:
- aprender algo novo;
- continuar trabalhando ou iniciar outro negócio;
- viajar e conhecer novos lugares;
- utilizar tecnologia no cotidiano;
- manter relacionamentos e vida social;
- praticar atividades físicas;
- cuidar da alimentação e da saúde;
- desenvolver novos hobbies;
- iniciar projetos mesmo depois da aposentadoria;
- planejar o futuro independentemente da idade.
Mais importante do que qualquer uma dessas atividades é a ideia de que a idade cronológica não determina, sozinha, aquilo que uma pessoa pode ou deve fazer.
Envelhecer não significa necessariamente perder autonomia
A ciência já reconhece que existe enorme diversidade entre pessoas da mesma idade.
A Organização Mundial da Saúde destaca que não existe um perfil único de pessoa idosa. Algumas pessoas com 80 anos podem apresentar capacidades físicas e mentais comparáveis às de indivíduos muito mais jovens, enquanto outras podem precisar de apoio significativo antes dessa idade.
Por isso, a OMS utiliza o conceito de envelhecimento saudável, definido a partir da manutenção da capacidade funcional que permite à pessoa continuar fazendo aquilo que considera importante para sua vida.
Isso inclui poder tomar decisões, locomover-se, aprender, manter relacionamentos e participar da sociedade.
Nesse sentido, algumas das ideias associadas ao NOLT coincidem com conceitos já bastante consolidados sobre envelhecimento saudável.
Mas existe uma crítica importante ao termo NOLT
Nem todos os especialistas consideram necessário criar um novo nome.
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chamou atenção para um possível problema: ao criar uma expressão especial para pessoas com mais de 60 anos que permanecem independentes, produtivas ou ativas, podemos reforçar justamente o estereótipo que pretendíamos combater — o de que ser idoso normalmente significaria ser frágil, parado ou incapaz.
Essa discussão é importante.
Uma pessoa de 70 anos não precisa receber uma nova denominação simplesmente porque trabalha, namora, viaja, pratica esportes ou utiliza redes sociais.
Ela pode simplesmente ser uma pessoa de 70 anos vivendo a própria vida.
A própria Organização Mundial da Saúde alerta para o etarismo, que ocorre quando estereótipos, preconceitos ou discriminação são construídos com base na idade.
Então NOLT é positivo ou negativo?
Talvez o maior valor do termo esteja na discussão que ele provocou.
Por um lado, NOLT ajuda a questionar aquela antiga imagem da velhice como uma fase obrigatoriamente marcada por isolamento, inatividade e dependência.
Por outro, não devemos substituir um estereótipo por outro.
Nem toda pessoa com mais de 60 anos precisa correr maratonas, abrir uma empresa, viajar pelo mundo ou aprender uma nova profissão para demonstrar que está envelhecendo bem.
Há pessoas com doenças crônicas, limitações físicas ou necessidade de ajuda que também podem ter qualidade de vida, autonomia nas decisões, relacionamentos, desejos e projetos.
Envelhecimento saudável não significa permanecer jovem. Significa poder viver da melhor maneira possível em cada fase da vida.
A idade continua existindo — e não há problema nisso
Talvez essa seja a parte mais interessante de toda a discussão sobre NOLT.
Durante muito tempo, boa parte da sociedade tentou esconder o envelhecimento. Rugas, cabelos brancos e mudanças no corpo passaram a ser tratados quase como defeitos.
Mas viver mais é justamente uma consequência dos avanços sociais, científicos e médicos das últimas décadas.
A questão, portanto, não deveria ser parecer mais jovem.
Deveria ser viver mais e, sempre que possível, viver melhor.
Atividade física adequada, alimentação equilibrada, vacinação, acompanhamento médico, controle de doenças crônicas, saúde mental, sono, convivência social e prevenção continuam sendo elementos importantes para preservar capacidade funcional e independência ao longo do envelhecimento. A OMS destaca especialmente atividade física, alimentação saudável e ausência de tabagismo entre os fatores relacionados à manutenção das capacidades física e mental.
NOLT ou simplesmente uma nova geração que envelheceu?
Talvez daqui a alguns anos a sigla permaneça. Talvez desapareça e seja substituída por outro termo.
O fenômeno por trás dela, entretanto, é muito maior.
Milhões de brasileiros estão chegando aos 60, 70 e 80 anos em uma sociedade completamente diferente daquela em que seus pais e avós envelheceram.
E essa população continuará consumindo, trabalhando, aprendendo, convivendo, viajando, utilizando tecnologia, precisando de cuidados médicos e participando da sociedade.
Podemos chamar isso de NOLT, envelhecimento ativo, envelhecimento saudável ou simplesmente de vida.
O importante é compreender que completar 60 anos não determina quem uma pessoa é, o que ela deseja ou aquilo que ainda pode realizar.
A idade conta quantos anos você viveu. Ela não precisa determinar como você viverá os próximos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou orientação de profissionais de saúde.