Eficiência e
responsabilidade
*Adriano Londres
A velha máxima de que o que é bom para os Estados Unidos é
bom para o Brasil se mostrou totalmente falsa ao longo dos anos, apesar da
insistência das cabeças colonizadas. As idiossincrasias sociais e culturais,
além das disparidades econômicas, fazem com que a adoção pura e simples de
modelos importados redunde quase sempre em fracassos – e isto vale não somente
em relação aos Estados Unidos como a outros países, inclusive vizinhos
latino-americanos como Cuba.
Portanto, copiar, sem considerar peculiaridades nacionais,
equivale a desperdiçar tempo e dinheiro. Contudo, as análises elaboradas por
especialistas mundialmente reconhecidos não devem passar em branco, pois delas
podemos nos valer para tirar ensinamentos e estabelecer nossos próprios
parâmetros de trabalho e suas metas de resultados.
A comparação com experiências alienígenas nos ajuda a
fazer a lição de casa e a compreender que os desafios que enfrentamos aqui
encontram paralelos didáticos em outros países, mesmo nos mais desenvolvidos.
Foi com esta visão que o SINDHRIO promoveu a vinda ao Brasil esta semana do
ex-secretário de Saúde e de Serviços Humanos dos Estados Unidos, Tommy
Thompson, uma importante autoridade mundial na área da saúde.
Quatro vezes eleito (sucessivamente) governador do
Winsconsin antes de ser nomeado secretário, Tommy Thompson, hoje com 64 anos,
foi o responsável por um amplo programa de reestruturação baseado na
“eficiência” e na “responsabilidade”. E, mesmo assim, considera que os EUA
estão longe de encontrar uma solução para os desafios de seu sistema de saúde
que consome praticamente dois trilhões de dólares.
Além do peso das palavras “eficiência” e
“responsabilidade”, artigos não tão abundantes assim na gestão de saúde
brasileira, o que mais chamou a atenção na exposição do ex-secretário foi à
ênfase dada a uma mudança de abordagem que privilegie um modelo preventivo de
saúde, em substituição ao modelo curativo hoje disseminado no mundo inteiro.
Tommy Thompson falava, em primeiro plano, do modelo
curativo americano. O ex-secretário também enfatizou a importância de se buscar
a integração entre público e privado, ressaltando que o modelo de medicina
eminentemente privada, adotado nos Estados Unidos, está com os dias contados –
assim como o modelo público, praticado na maior parte da Europa. Citou ainda outros equívocos que insistimos
em copiar como a judicialização, burocratização e a mercantilização da medicina.
E foi mais além prevendo a “quebra” do sistema de saúde
americano em no máximo sete anos, se medidas saneadoras não começarem a ser
tomadas imediatamente. Lá, como aqui, na Europa e no resto do mundo, a grande
questão é saber como gerar mais eficiência na gestão dos recursos disponíveis.
Enfim, se ficou provado ser cacoete de colonizado importar
modelos estanques, sem adequá-los à nossa realidade, igualmente errado seria
fechar os olhos às reflexões de Tommy Thompson e avaliar de que forma elas
poderão nos ajudar a estabelecer nossas próprias soluções. E, é claro, seja
qual for as alternativas que venhamos a criar para os nossos problemas, que
levemos em consideração as duas palavras-chave: “eficiência” e
“responsabilidade”. Sem complexo de inferioridade.
Adriano Londres é
Presidente do SINDHRIO
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